domingo, 7 de junho de 2015

Bate-Papo Deomedes Brito

Nascido em 20 de junho de 1967 em Livramento no estado da Paraíba, casado e pai de dois filhos. Foi mais um nordestino que deixou sua terra natal, rumo ao Sudeste, em busca de trabalho, mas que retornou, e no interior pernambucano, conseguiu, como líder comunitário, ser o vereador mais bem votado da história política da cidade. Atualmente é o presidente do diretório municipal do PT. Bate papo desta quarta-feira (03) foi com Deomedes Alves de Brito.
Infância
Durante os anos de 70 e 80, o pequeno Deomedes viveu sua infância na pequena cidade paraibana. Uma criança que começou a trabalhar cedo. “As coisas eram difíceis. Eu também brincava, gostava de jogar futebol, mas logo com 12, 13 anos também comecei a trabalhar”, lembra. Foi ajudante de pedreiro, pintor e ajudou o pai que fazia lotação com uma rural, no município.
Ensino
Em Livramento completou a 6ª série, apenas. Ainda jovem e por emprego mudou-se para outros Estados do País e só completou o ensino médio no início dos anos 2000, no Dr.Adilson Bezerra. Hoje ele é formado em Pedagogia pelo CESAC.
Criança levada – Ainda em Livramento, vez por outra, arranjava uma briga no colégio, mas tinha uma diretora que gostava do rapaz e dava ‘um jeitinho’. “Era a saudosa Dona Salomé. Eu era uma criança impulsiva e certa vez ouve uma confusão grande em que teve uma pressão enorme para que não pudesse mais comparecer e ela interveio e disse todos mereciam uma segunda chance”, recorda com saudade.
Mesmo sendo habilitado para lecionar de 1ª a 4ª série do ensino fundamental, o vereador nunca trabalhou em sala de aula. Diz não ter muita paciência com essa faixa etária, mas pensa em fazer licenciatura em história.
Minha vida é andar por esse país...
Deomedes explica que em busca de melhores condições de vida, seguiu rumo ao sudeste, ainda muito jovem. Apenas com 15 anos foi para o Rio de Janeiro, onde passou somente seis meses. Um período em Paulo Afonso-BA e aos 18 anos completos segue para São Paulo.
No maior centro econômico da América, constrói 10 anos de sua vida, onde consegue emprego, conhece sua esposa e tem o primeiro filho.
Em São Paulo trabalha com frentista de Posto de Gasolina, porteiro, segurança e vigia. Trabalhando em empresas como Bauducco (empresa de alimentícios) e Itapemirim (Transportes).
Na Bauducco conheceu Maria Aparecida (Dona Cida), que trabalhava na parte de embalagens da empresa. Com ela começou um relacionamento. Dois Nordestinos em SP. Ele de Livramento-PB e ela de Tuparetama. Após dois anos de namoros, se casam (em dia chuvoso). Ainda na Capital Paulista nasceu o primeiro filho do casal: Felipe.
É tetra! É tetra! É treta
Na conquista da Copa de 1994, nos Estados Unidos, em que a seleção brasileira conseguiu o seu quarto título mundial de futebol, um fato marca a vida de Deomedes. No auge da sua emoção com o título, o então segurando, não resistiu e deu três tiros para o alto, em comemoração.
“Tinha acompanhado as copas de 1982, 86 e 90. Nada do Brasil ser campeão. E em 94 eu era responsável pela portaria e fizemos um sorteio nos jogos da seleção e acabei sendo sorteado para o último jogo. A cidade estava parada, todo mundo comemorando e quando Roberto Baggio bateu o pênalti pra fora eu me emocionei e dei três tiros pra cima”, diz.
Sabendo que ação foi errada, logo se desculpa, mas reafirma que foi algo de pura emoção pelo momento histórico. “Sei que foi errado não era pra ter feito. Depois pedi desculpas ao chefe, mas foi coisa do momento mesmo. Emoção muito grande”, conta.
Preconceito
Como boa parte de nordestinos, também sofreu preconceitos nas cidades sulistas. Mas nunca deixou por menos. Amigos contam que certa vez um neto de espanhol tentou humilhar nordestinos em São Paulo. Deomedes recorreu a história, pós-guerra mundial para responder.
“Conhece a história do seu país e do meu? Questionou. Pois bem, pós-guerra seus avós correram para o Brasil, porque estavam passando fome, com uma Europa devastada. E os meus avôs já estavam construindo essa cidade. Você não tem direito algum de menosprezar este povo”.
Curiosidade
Gosto Musical - Forró original, sertanejo de raiz e principalmente o brega preenchem o gosto musical do vereador, que batizou seu pendrive, lotado de brega, de ‘envenenado’. “É só os grandes sucessos”, diz.
Retorno ao Nordeste – Destino: Santa Cruz do Capibaribe
Após 10 anos em São Paulo, Deomedes sente que o tempo de voltar para terra natal chegou. Procura uma cidade nordestina em que pudesse sustentar sua família e viver dignamente. Com conselhos de uma cunhada conhece Santa Cruz do Capibaribe.
Quero voltar - Para resolver pendências, Deomedes ficou em SP e a mulher veio na frente. Sem conhecer o bairro que iria morar, logo na primeira noite um assassinato no bairro Santo Agostinho, fez com que Dona Cida logo quisesse retornar ao estado paulista.
“Ela me ligou desesperada, querendo retornar. Mas eu disse a ela decidido que não voltasse que iria ficar só. Mas graças a Deus ela logo se acostumou”, disse.
Vida de comerciante  - Com o dinheiro que conseguiu trabalhando no sudeste, Deomedes juntamente com o cunhado João, comprou algumas máquinas e ingressou na confecção. Comércio que não demorou muito tempo. “Fui a uma feira e voltei sem vender nada. Decidimos vender as máquinas e montar um mercadinho”, disse.
Movimentos sociais – O líder Comunitário
A busca por água e energia para a comunidade fez com que se tornasse um líder dentro do bairro. Promovendo panelaços e mutirões pelas melhorias, além da invasão às casas da Acauã, onde foi líder do movimento, em que os moradores carentes conseguiram suas moradias.
“Foi uma luta grande que nunca vou esquecer. Em 1996 houve a invasão porque quem queria comprar, a Caixa (Econômica Federal) não vendia. E aqueles que compravam não iam morar”, diz e prossegue. “Cheguei a pregar para 100 famílias sobre Antônio Conselheiro, na rua com fogueira já que cortaram a energia das casas, por 30 dias, para desmotivar o pessoal, e em 1997 conseguimos ir atrás de Miguel Arraes que mandou ligar novamente”.
No tempo, foram cadastradas 500 famílias, através da comissão em que o hoje vereador era líder.
Nome nas urnas
Com o passo a frente na busca por melhorias na comunidade, era evidente que o nome ia para apreciação popular. Conseguindo ser eleito apenas na terceira tentativa. Demorou, mas foi conquistada de forma histórica. Sendo o vereador mais bem votado da história política de Santa Cruz do Capibaribe, em 2008. Título que pertencia a Edson Vieira, até então.
2000 – Não conseguiu o objetivo principal, mas foi o candidato mais votado no bairro. “Campanha difícil, sem dinheiro e consegui 556 votos. No dia da eleição percebi que não ganharia, mas que seria o mais bem votado da área. Nessa eleição ganhei com uma diferença de 110 votos para Toddy”, comemora.
2004 na trave – A ampliação no número de votos conquistados, passando de 556 para 1.356, não foi suficiente para a vaga na Casa José Vieira de Araújo. Mas não desistiu...
2008 A grande vitória – Uma verdadeira marca histórica. Com 3.385 votos bate a marca de Edson vieira, até então o vereador mais bem votado na cidade, e finalmente consegue a vaga de legislador do município. “Acredito que isso se deve a perseverança, o dia-a-dia e ser original”, fala.
2012 – Mais experiente consegue a ser reeleito. Com a ampliação do número de candidatos, o número de votos cai em relação ao último pleito, mas sem ameaçar o cargo. Foram 1.827 votos.
2014 – Ano de eleição para deputado e com racha no grupo taboquinha, decide pelo amigo Ernesto Maia (estadual) e Luciano Bivar (federal). “Tinha que tomar uma posição. Ou com Ernesto e Bivar, ou com Toinho e Teobaldo e fiquei com Ernesto que era mais próximo. Tinha também algumas coisas que estava triste com Toinho, obras inacabadas no Santo Agostinho, quando era prefeito...” explica.
Jogo rápido
Lula – O maior presidente da história do Brasil
Dilma – Não fez como Lula. Pegou o país agora com uma crise mundial e está tentando resolver algumas coisas
Miguel Arraes – Um grande líder
José Augusto Maia – Um prefeito que fez por Santa Cruz
Fernando Aragão – Um homem sério que merece um dia ter a oportunidade de governar Santa Cruz
Junior Gomes – Tem que mudar. Muitas vezes tira por brincadeiras e política é coisa séria
Ernesto Maia – Um grande companheiro.
Edson Vieira – Prometeu muito e fez pouco até agora.
Toinho do Pará – Um prefeito que fez muito, mas não soube como organizar suas obras e por isso perdemos as eleições. Mas também fez sua parte.
Diogo Moraes – Deputado que está fazendo o seu trabalho.
Deomedes Brito – Um homem simples que sempre tenta fazer o melhor para o povo, especialmente o mais carente.
Santo Agostinho – Um bairro que amo, juntamente com toda aquela comunidade Acauã, Nossa Senhora da Conceição. Santo Agostinho foi onde toda a luta começou.
Livramento – Cidade que nasci e amo.
Santa Cruz do Capibaribe – Cidade que me recebeu de braços abertos por seus filhos, onde consegui ser vereador e amo muito.

 

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